
Diretora de desenvolvimento da franquia Power Rangers por dez anos, entre 2010 e 2020, além de roteirista de várias histórias dos quadrinhos da marca pela BOOM!Studios, Melissa Flores, comenta em entrevista para o PwrRngr o que gostaria ter feito pelos heróis.
Com mais de três décadas consecutivas produzidas, Power Rangers conta com inúmeras temporadas e diversos personagens marcantes desde a sua estreia em 1993 com Mighty Morphin até a última série live-action lançada na Netflix em 2023 com Cosmic Fury.
Desde então, muito tem se ensaiado pela atual detentora da marca, Hasbro, para um reboot e uma nova produção dos heróis. Power Rangers deverá ganhar no próximo ano, mais uma produção feita em parceria com a Disney+.
Fato é que, mesmo com tantos anos de história, Power Rangers nunca ganhou uma série animada e por vezes os fãs já demonstraram o desejo de consumir este tipo de material.
Fora das telinhas, os heróis encontraram enorme sucesso nas páginas dos quadrinhos da BOOM! Studios, onde Melissa Flores, esteve envolvida por anos. Na entrevista, ela reafirma que chegou a defender enquanto pode, a ideia de investir em uma série animada, e no conhecido formato de anime:
"Quando eu era executiva, defendi com unhas e dentes uma versão em anime dos Power Rangers. Animada, mas no estilo anime, mangá, bem no estilo anime mesmo. Eu achava que o formato se prestava muito bem a isso"
“As cenas de ação, tudo. Acho que encontramos uma fórmula realmente incrível com os quadrinhos da BOOM!, na qual era possível contar uma história para toda a família, mas com um foco mais adulto, ou melhor, com riscos reais, desenvolvimento de personagens de verdade, e eu realmente queria isso. Mas nunca consegui concretizar essa ideia.”
Mesmo defendendo a ideia, Melissa Flores entende os motivos para que o projeto nunca tenha acontecido:
“Então, poder fazer algo assim seria ótimo. Eu entendo, porém, que o que torna Power Rangers especial, e o que parecia especial na época, são os componentes de ação ao vivo, mas acho que, para evoluir a marca, teria sido muito legal, como uma ferramenta de construção de marca, que nos permitisse fazer algo um pouco diferente, como fizemos com os quadrinhos, HyperForce ou os videogames.”
Power Rangers poderia facilmente seguir os exemplos de outros sucessos deste formato de animação como o próprio Homem-Aranha no Aranhaverso, Os Simpsons, South Park, entre outros e não explorar isso pareceu uma grande falha da franquia, após três décadas:
“Costumamos ter muito sucesso nessas categorias porque acho que os fãs realmente gostam de ser levados a sério, pelo menos os fãs mais velhos, que sentem que é algo em que podem realmente investir. Por mais que amem a série com atores reais, nunca é para eles, é para as crianças. Então, gostei muito de criar conteúdo que fosse também para elas, mantendo-o adequado para crianças, para que uma criança pudesse abrir o livro e não ficar traumatizada para sempre.”
Resta aos fãs seguirem com esperança de que em algum momento a Hasbro irá olhar com outros olhos para o formato e quem sabe um dia possa adaptar as excelentes histórias de Mighty Morphin Power Rangers desenvolvidas nas HQs, enquanto prepara um novo reboot para as séries live-action.
